Nesta semana pude tomar um ônibus, daqueles bem cheios.
Lá no canto, sentada com sua bolsa e umas sacolas no colo, uma senhora. Eu estava na sua frente.
Qual a importância da nossa aparência? É Tudo ou nada?
A senhora, não sei seu nome, tinha uma deformação. Seus olhos não eram como os meus, alinhados na mesma altura. Quando percebi, ela notou e virou o rosto. Foi quase ouví-la dizer: "- não olhe para mim!"
Era vergonha de ter um rosto diferente ou a vontade de evitar o olhar típico das pessoas? Aquele olhar de susto, de "arg", de "coitada!"...
Eu disse em meus pensamentos: " não se preocupe, meu pai também é deficiente! Não vou te olhar com rejeição."
Mas, no fim, o que fiz, para nós duas ficarmos mais tranquilas, foi desviar o olhar. Por quê?
E se eu, eu mesma, sofresse um acidente e ficasse assim? Isto mudaria o que eu sou? Acredito que não. Então, qual a justificativa da mudança de comportamento ante alguém com aparência menos perfeita do que a maioria?
Naquele momento, entre o barulho do ônibus e a paisagem noturna da avenida, lembrei-me da avó de minha amiga, que, devido a um derrame, não pode reagir fisicamente às pessoas, ao mundo. Mas lá dentro ela está viva: sente alegria, tristeza, pensa, ri...
Não sei porque somos assim, e nos desviamos do que não é "normal". É a ausência de uma beleza deslumbrante, ou simplesmente a feiúra da assimetria a causa desta reação tão natural e tão mesquinha?
Lutar contra isso é o que tento fazer. Às vezes, uma conversa basta para vencer o preconceito.
Afinal, eles estão ali, iguais aos demais. De que serve tanta preocupação com o corpo, se a essência está dentro de nós, onde ninguém pode ver?
Relatos da Saudade
Abro o caminho para meus dedos agitados, que tentam se desvencilhar da prisão do pensamento... Inicialmente, este blog contaria uma grande história de amor protagonizada por mim e um tal Miguel Marvilla. Mas acho que vamos além disso... Vamos juntos deixar a palavra ao relento, seja ela qual for!
domingo, 24 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
Como era de se esperar

Basta ela estar ali. Parada, inerte.
Imponente, grande, amendrontadora e vermelha. Fonte de grande desespero...
É uma nova porta. Vamos abrir?
É só mais um desafio, para quem já pasou por outros tantos.
Como um jogo, as fases vão ficando cada vez mais difíceis.
Você olha para a porta e pensa: - Não sou capaz!
Não é mesmo. Nenhum de nós somos.
Porém, como nicotina, ele vicia - o desafio
Adoramos a dor que ele causa, a angústia...
"Não vou conseguir, é muito difícil"
Parece que entra no sangue, faz o coração gelar... e você pára.
É muito difícil. Realmente.
Há alguns anos, também foi difícil.
E lá estávamos nós:
Nó na garganta, mãos trêmulas, frio na espinha... Tudo de novo!
Por que agora não dá? O que tão diferente?
Benvindo à fase adulta!
A fase dos covardes, dos medrosos...
A fase onde coloco todas as minhas desculpas em ação (para evitar a necessidade de uma ação que demande mais raciocínio, presteza... Algo que eu não tenho condições de fazer. Eu sou fraca)
Mas...
As outras novas portas nos deram uma grande lição:
A angústia passa. O medo passa.
O que eu quero é não deixar passar.
Não quero assumir a responsabilidade que decairá quando eu passar por ela. Agora tem mais coisas em jogo, tenho que pensar mais.
Basta um passo, um primeiro e grande passo.
Me ajuda a acabar com isso. Não aguento mais o drama.
- Abri a porta
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