domingo, 24 de abril de 2011

Imagem não é tudo

Nesta semana pude tomar um ônibus, daqueles bem cheios.

Lá no canto, sentada com sua bolsa e umas sacolas no colo, uma senhora. Eu estava na sua frente.

Qual a importância da nossa aparência? É Tudo ou nada?

A senhora, não sei seu nome, tinha uma deformação. Seus olhos não eram como os meus, alinhados na mesma altura. Quando percebi, ela notou e virou o rosto. Foi quase ouví-la dizer: "- não olhe para mim!"

Era vergonha de ter um rosto diferente ou a vontade de evitar o olhar típico das pessoas? Aquele olhar de susto, de "arg", de "coitada!"...

Eu disse em meus pensamentos: " não se preocupe, meu pai também é deficiente! Não vou te olhar com rejeição."

Mas, no fim, o que fiz, para nós duas ficarmos mais tranquilas, foi desviar o olhar. Por quê?

E se eu, eu mesma, sofresse um acidente e ficasse assim? Isto mudaria o que eu sou? Acredito que não. Então, qual a justificativa da mudança de comportamento ante alguém com aparência menos perfeita do que a maioria?

Naquele momento, entre o barulho do ônibus e a paisagem noturna da avenida, lembrei-me da avó de minha amiga, que, devido a um derrame, não pode reagir fisicamente às pessoas, ao mundo. Mas lá dentro ela está viva: sente alegria, tristeza, pensa, ri...

Não sei porque somos assim, e nos desviamos do que não é "normal". É a ausência de uma beleza deslumbrante, ou simplesmente a feiúra da assimetria a causa desta reação tão natural e tão mesquinha?

Lutar contra isso é o que tento fazer. Às vezes, uma conversa basta para vencer o preconceito.

Afinal,  eles estão ali, iguais aos demais. De que serve tanta preocupação com o corpo, se a essência está dentro de nós, onde ninguém pode ver?

Um comentário:

  1. Bem, já pensei no mesmo tema diversas vezes e eis a conclusão: a natureza nos fez agir assim. E não só entre seres humanos, mas em toda a criação olhamos com "desconfiança" àquilo que nos foge do padrão. Mas, em especial, o ser humano é muito apegado à aparecência. E a quem devemos culpar?
    Os antigo romanos adoravam algo "exótico", "diferente", e onde tal admiração se perdeu? Por que ela mudou?
    Busque as respostas e as traga de volta.

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